A MINHA, A SUA, A NOSSA ESTÉTICA
No permear a metade do que pode haver entre ter 40 e 50 anos, penso no formato que as coisas têm e que tentamos dar. Tentamos moldar. Minhas unhas, por exemplo. Elas tinham um formato antes que alicates se metessem nas cutículas alterando o seu desenho. Talvez por permear esse estranho período eu pense agora que somos máquinas. Máquinas de usar e ser usadas. Por outros e por nós mesmos. E por mais que vozes queiram se instaurar contra isso (até aquelas que vêm de mim mesma), não há mal nenhum nisso. Somos máquinas comandadas por um cérebro, por um inconsciente e por um coração que não mora bem no meio do nosso peito. Se o tempo é a acumulação contínua dos segundos, eu projeto meus sonhos porque sei que projetar implica construir. Implica costurar e representar "idéias" que possam traduzir algo qualquer que está mais além e que nem sempre eu posso ver. Isso há de estar representado nalguma estética. Eu bem sei que, definitivamente, não importa ser. Há também que parecer. Alguém já disse que intencionalidade e criação caracterizam nosso ser. Seguimos por aí subindo e derrapando em ladeiras. Andamos a pé e de avião. De carro e carrinhos rolemã. Saltamos com ou sem para-quedas e nos estatelamos ou não no final de cada percurso. Com mais ou menos escoriações. Somos máquina e matéria com digitais específicas e por vezes mais de um registro de identificação. Com contas aqui, no exterior ou mesmo sem absolutamente nenhum dinheiro no banco. Por vezes sem conta nenhuma em banco e sem nenhum tostão dentro dos bolsos. Podemos também ser e estar nus de toda ordem. Não importa. Entre a possibilidade de uma vontade ordenadora, por baixo ou por cima de qualquer escombro, somos portadores de sentido e talvez necessitemos de um tratamento estético. De modelagem. O quanto o mergulho nesse ato pode nos afundar ou fazer emergir é coisa que não se sabe. Mas sei bem que em algum momento devemos introduzir uma separação, um corte qualquer para canalizar o desejo e dizer: agora eu vou. Com mais ou menos luz. Com luz ou na total escuridão. Seja como for, até o formato de minhas unhas indicam uma coisa qualquer que é relativa ao meu desejo e que me estrutura em meio a vazios e alguma névoa. O vazio que me estrutura seja eu um monumento em pedra e cal ou um painel misto de opacos e transparências e que me apresentam mais ou menos nua, mais ou menos sólida. Sempre nua e mais ou menos diluída. Não faz mal, na aventura pela vida sei que sou criatura de desejos. Que vive interpretando e sendo interpretada diante do insondável nas relações. É aí que moram todos os desafios. Os meus e os de qualquer pessoa. A estética é algo que se liga ao novo e que se produz no laço. No contato. Se for criativo, melhor.
No permear a metade do que pode haver entre ter 40 e 50 anos, penso no formato que as coisas têm e que tentamos dar. Tentamos moldar. Minhas unhas, por exemplo. Elas tinham um formato antes que alicates se metessem nas cutículas alterando o seu desenho. Talvez por permear esse estranho período eu pense agora que somos máquinas. Máquinas de usar e ser usadas. Por outros e por nós mesmos. E por mais que vozes queiram se instaurar contra isso (até aquelas que vêm de mim mesma), não há mal nenhum nisso. Somos máquinas comandadas por um cérebro, por um inconsciente e por um coração que não mora bem no meio do nosso peito. Se o tempo é a acumulação contínua dos segundos, eu projeto meus sonhos porque sei que projetar implica construir. Implica costurar e representar "idéias" que possam traduzir algo qualquer que está mais além e que nem sempre eu posso ver. Isso há de estar representado nalguma estética. Eu bem sei que, definitivamente, não importa ser. Há também que parecer. Alguém já disse que intencionalidade e criação caracterizam nosso ser. Seguimos por aí subindo e derrapando em ladeiras. Andamos a pé e de avião. De carro e carrinhos rolemã. Saltamos com ou sem para-quedas e nos estatelamos ou não no final de cada percurso. Com mais ou menos escoriações. Somos máquina e matéria com digitais específicas e por vezes mais de um registro de identificação. Com contas aqui, no exterior ou mesmo sem absolutamente nenhum dinheiro no banco. Por vezes sem conta nenhuma em banco e sem nenhum tostão dentro dos bolsos. Podemos também ser e estar nus de toda ordem. Não importa. Entre a possibilidade de uma vontade ordenadora, por baixo ou por cima de qualquer escombro, somos portadores de sentido e talvez necessitemos de um tratamento estético. De modelagem. O quanto o mergulho nesse ato pode nos afundar ou fazer emergir é coisa que não se sabe. Mas sei bem que em algum momento devemos introduzir uma separação, um corte qualquer para canalizar o desejo e dizer: agora eu vou. Com mais ou menos luz. Com luz ou na total escuridão. Seja como for, até o formato de minhas unhas indicam uma coisa qualquer que é relativa ao meu desejo e que me estrutura em meio a vazios e alguma névoa. O vazio que me estrutura seja eu um monumento em pedra e cal ou um painel misto de opacos e transparências e que me apresentam mais ou menos nua, mais ou menos sólida. Sempre nua e mais ou menos diluída. Não faz mal, na aventura pela vida sei que sou criatura de desejos. Que vive interpretando e sendo interpretada diante do insondável nas relações. É aí que moram todos os desafios. Os meus e os de qualquer pessoa. A estética é algo que se liga ao novo e que se produz no laço. No contato. Se for criativo, melhor.
O assunto ESTÉTICA é muito interessante e vc o abordou com a peculiaridade da cronista que muitas vezes adora passear por lugares quietos.Assim permite a nós leitores acessibilidades que trazem o novo.Se não me engano Ariano Suassuna foi professor dessa disciplina.Bj daqui do litoral de SC. Fatima
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