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Mostrando postagens de Agosto, 2010
FEROMÔNIOS?


Ela caminha pela calçada. Olha. Acelera o passo. Desacelera. Sente o sol e sorve cada verde que chama sua atenção. Ora se deixa levar por impulsos, ora pisa com cuidado e vai sentindo o caminho. Os vieses do caminho. Pressente sustos. Quase corre. Por vezes parece que esquece. Sabe lá o quê. Espreguiça e outra vez recebe o sol. O quente do sol. Vai respirando de novo os verdes. O tipo deles. E também as flores. O aroma delas. Deve enxergar por dentro do que chega até as pequenas narinas. Até o DNA. Cumprimenta amigas na passada. Também seus desafetos. Dá atenção. Desdá. Perde-se outra vez. Vai, volta, para e vai de novo. A mesma determinação para um lado e seu contrário. Saberá aonde vai? Importa isso? Importa é que vai. É então que vê o amor. Se ajeita, se apruma no passo. Olha o amor estampado nos olhos. No porte. Na imagem do “pirata”. Na brisa que traz o cheiro dele pra ela. Ela respira o cheiro. Desapruma. Parece toda na fresta. É tudo isso ou sei lá o quê que a faz at…
Leiam PERFUME. Um conto feito na Oficina do SESC Santa Catarina em 2009. Disponível em: http://poemasclotildezingali.blogspot.com/
ABSORTO EM ABSURDOS


Dia desses acordei por volta de 5 da manhã. Como estava num hotel e a televisão bem na minha frente, liguei. Estava passando uma daquelas aulas do Telecurso 2° grau. Aula de desenho técnico em mecânica. Projeção Ortogonal e rotação. Comecei a olhar aquilo. O pensamento cheio de nós. Rodando perdido numa imagem insistente. Eu estava tão absorta. Acho que nada ali fazia sentido, mas por estar tão absorta, deixei meu olhar ali. Lembrei de algumas aulas do curso de Arquitetura. Desenho Industrial. Comecei a enxergar alguns cortes possíveis e consequentemente, a visão da peça por aqueles pontos de vista. Olhando assim um detalhe parece estar distorcido. Você então deve fazer a rotação desse trecho para visualizá-lo melhor. Sinapses ocorrem e começo a transferir essas informações para a vida. Para as coisas da vida. Pois não é verdade que certas vezes as coisas da nossa vida ficam com, digamos, uma alteração na sua imagem? É verdade. Dependendo dos óculos com que vemos ce…

REMINISCÊNCIAS DE UMA PELADA

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REMINISCÊNCIAS DE UMA PELADA


Oi Luís. Ontem falaram de você lá no boliche. Foi uma conversa de que não participei. Falo isso porque quero dizer que apenas escutei um rabinho da conversa. Quando escutei seu nome senti saudade, sabia? Tanta, que acho que esse tempo todo estive disfarçando. Não que eu goste, mas é o que se pode fazer. A verdade é que tenho saudade de você e ponto. Ponto. Ponto para eu abrir um novo parágrafo ou simplesmente continuar exatamente de onde parei. Sabe onde parei? Nunca, um dia sequer, eu não senti saudade. Ficou um vazio enorme e eu coloquei uma porção de coisa no lugar. Tanta coisa. Fiz até um doutorado. Muitos sonhos acalentados. Distrações várias. Muita distração para tirar o foco de luz da saudade. Eu precisava “jogar” você pra escanteio. Recomeçar o jogo depois da bola ter violado a linha. Mesmo pelo ar. Isso é escanteio, certo? Escanteio é de onde surge a possibilidade de alguém fazer gol, não é? Pois então. Passei essa bola para alguém bater e saí da f…