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Mostrando postagens de Fevereiro, 2010

2009 é bala. crônica publicada no Jornal A Notícia em 12 de fevereiro de 2009.

Em 12 de fevereiro de 2009 publiquei a minha segunda crônica no jornal. Era um momento outro, mas também era início de ano, como agora. E ainda agora, como antes, ainda sinto um friozinho na barriga a cada crônica nova. como se fosse a primeira vez. e isso é bom :)) então publico aqui esse momento, onde falo de "possibilidades que atravessam nossas vidas e mudanças". que nessa linda noite de lua cheia, cheia de intenções, a gente possa vislumbrar isso tudo com alegria e disposição de fazer o "nosso fazer" cada vez melhor e sempre, sempre (de preferência) mantendo a sensação de friozinho na barriga :))
Obrigada a todos que tem partilhado comigo pensamentos e ideias a respeito das coisas. que a gente possa germinar juntos, florescer juntos e implantar a boa revolução. sempre.

2009 É BALA.

De todas as formas de mudança, a que mais gosto é a que não tece motivos para acontecer, não tem razão ou razões que a expliquem ou justifiquem – gosto daquela que se interpõe feito…

A MATURIDADE

No dia 15 de fevereiro completei 18 de casamento. Há 3 dias. A gente fez uma festa bacana lá na praia. Nada demais. Alguns amigos que partilham da nossa amizade boa parte desse tempo, peixinho na brasa e um espumante para coroar. Ah, também uma torta de maçã que adoro: Tart Tartin. Já falei aqui sobre simbologias e o quanto isso faz parte da nossa vida. Até a maçã. Aquela das histórias de Adão e Eva. Da serpente. Que alivia dores de estômago. A maçã do amor. O afrodisíaco da coisa. Pouco antes da gente se casar, quando meus pais comemoravam 25 anos de casamento, eu escutei minha mãe comentar com uma amiga: “Se eu não tivesse ficado casada por 25 anos, não teria vivido para sentir a felicidade que estou sentindo hoje”. Na época eu não entendi. Esse preâmbulo é para dizer que hoje eu entendo. É uma espécie de reparação do meu próprio pensamento e entendimento das coisas. Porque quem está junto durante anos sabe que o dia-a-dia não é feito só de flores (como eu disse semana retrasada, é …

SOBRE ARRUMAÇÕES E OUTRAS COISAS

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SOBRE ARRUMAÇÕES E OUTRAS COISAS



Sobre Bernardo Soares, semi-heterônimo de Fernando Pessoa, ele disse: “é um semi-heterônimo porque, não sendo a personalidade minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afetividade. Aparece sempre que estou cansado ou sonolento”. Isso não é maravilhoso leitor? Em estado de sonolência você é você mesmo, mas apesar disso você tem limitações técnicas... está sonolento, lembra? Quer dizer: seu raciocínio torna-se limitado e você fica de certo modo, despersonalizado (quase um outro?). Cito isso porque acho incrível a consciência da pluralidade que este homem tinha – todas as personalidades que o habitavam internamente (e ele fez um uso esplendoroso disso!!!). Desse imenso conteúdo que se não tivesse tido voz, sabe lá leitor, sabe lá)... O quanto escrever não nos resgata de uma crise e nos coloca nela? Penso nisso às vezes. O quanto escrever nos coloca no “olho do furacão” e daí simplesmente não dá mais par…

CARNAVAL TECNO-CIENTÍFICO

Enquanto passa o carnaval, as batidas de funk, tecno e sertanejo se sobrepõe numa combinação alucinatória, penso. Eu penso muito, ele me diz. Não faz mal – gosto de pensar, articular as idéias dentro do cérebro – as aulas de neurofisiologia... Imagine... O giro cingulado responsável por essa coisa toda. Enquanto penso olho o moço lá no alto da pedra da Prainha; junto outros mais, seu cabelo repicado ao vento, parece que é repicado, deve ter uns dezenove... ele olha e estuda as ondas... abstraio e já estou noutra praia, eu tinha dezenove, os meus cabelos eram ao vento. Agora estou aqui. Estamos todos aqui. Enquanto isso o filho da minha amiga segue narrando suas peripécias. É meu amigo Rui. Filósofo de primeira esse garoto. E sem mais ele arrebata: ir é fácil, voltar é que é difícil. E pela manhã, quando eu acordo e todos ainda dormem (só ele no quintal), enquanto sorvo o primeiro café do dia e administro pensamentos que querem ocupar espaço, olho o tronco com bromélias que adorna a en…

VIVER FAZ BEM À SAÚDE

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Falam tanto em coisas que fazem bem para a nossa saúde! Dieta mediterrânea, suco vivo, dieta de acordo com nosso tipo sanguíneo, 10 copos de água por dia, um copo de água em jejum, jejum depois das 20 horas, café. Tomar só água por três dias. Comer só melancia durante uma semana. Arroz e feijão. Jejum absoluto. Incrível. A lista é interminável. É tanto o que nos dizem, tantas novidades e reedições e revisão de coisas e conceitos, que ficamos até na dúvida sobre mudar nossos hábitos... O que é certo afinal? Equilíbrio parece uma opção mais razoável do que “comprar” filosofias e dietas que não nos pertencem. Quando fazemos isso temos que ter em mente o processo das coisas. Pois se a soja faz bem às japonesas, é preciso saber que elas a ingerem quase cotidianamente desde a mais tenra idade. Se yoga faz bem à saúde corporal e mental dos hindus, do mesmo modo é preciso saber que há uma filosofia por trás da prática, uma filosofia implícita na vida. Nos dois casos uma coisa endossa a outra …

PARA FALAR DE AMOR

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Jornal A NOTÍCIA, 04 de fevereiro de 2010. Caderno ANEXO p.03

Para falar de amor é preciso falar de saco de sal e de limão. Lembro de minha avó dizendo que só sabe o que é amor quem já comeu um saco de sal juntos. Roda por aí que amor é quando alguém te dá um limão e você faz uma limonada. É engraçado. Eu posso dizer que amor é quando a gente faz um poema para alguém. Quando alguém faz uma música para alguém, dizem que é amor. Quintana disse: “O amor é quando a gente mora um no outro”. Danilo Caymmi cantou o amor. “O que é o amor? Onde vai dar? Parece não ter fim. Uma canção cheia de mar que bateu forte em mim”. Dizem também que amor é tirar da sua boca para alimentar alguém, fazer o bem sem olhar a quem. Mas o que é o bem, não é? Sabe lá. Amar é discórdia. Lacan dizia: “Amor é dar o que não se tem a quem não é”. Concepção irresistível de tão linda. Eu amo.Tu amas. Ele ama. Nós amamos. Vós amais. Eles amam. Você ama. É a força do verbo. E dizem que amar é jamais ter que pedir perdão. …