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SOBRE ANIVERSÁRIOS E PRESENTES

Crônica publicada no caderno ANEXO do jornal A NOTÍCIA de Joinville em 21 de janeiro de 2010.

Na terça-feira, fiz 44 anos. O inusitado da condição desse ano me fez pensar sobre presentes. Não do tipo objetos, mas presentes “virtuais”. Pois são mesmo coisas “não palpáveis”. Falo de coisas que conectam mundos, pessoas, pensamentos, numa espécie de vida paralela. São coisas que nos chegam e nem podemos medir o quanto são “reais”, são canais e fluxos diversos e a interpretação do que podem representar é nossa. Não que eu normalmente não pense nessas coisas. Penso muito. E sou feliz com isso. Mas tirar o dia para ver assim é um pouco diferente. Meu marido viajando, minha família morando em São Paulo, e foi surgindo uma possibilidade em torno da ideia de, dessa vez, não fazer alvoroço com a coisa. Experimentar a sensação de estar só e estando só, ser. Estar na praia fez isso ser ainda melhor. Acordei e coloquei um CD que não escutava há muito tempo. Ouvir a voz da Fernanda Takai foi algo qu…

ALGUMAS COISAS QUE SEI

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Crônica publicada no jornal A Notícia de Joinville. caderno ANEXO, p.03 em 14 de janeiro de 2010.


1. Uma pessoa que arremessa latas de refrigerante ou cerveja pela janela do carro não tem a menor consciência de educação e cuidado com o meio ambiente. Deixe isso claro quando acontecer perto de você.

2. Uma pessoa que é toda charmosa com você, mas grosseira com alguém que lhe presta um serviço, não tem como ser uma boa pessoa. Diga isso para ela.

3. Incomodam-se menos com a gente do que a gente pensa. Não tenha medo de ser feliz!

4. Pessoas que falam muito de si e não abrem espaço para ouvir o outro, não estão a fim de compartilhar nada. Livre-se delas.

5. Definitivamente certas vezes é melhor calar-se. Saiba enxergar esses momentos.

6. Certas vezes é fundamental botar a boca no trombone. Instrua-se sobre a população argentina e seus famosos “panelaços”. Somos muito mansos aqui no Brasil. Muito mansos.

7. É bom aventurar-se romanticamente em algumas atividades que desenvolvemos, mas …

SOBRE GAVETAS

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Olá leitor! Mais um ano termina e outro começa. Esse ano eu caí com a crônica de Natal e do reveillon. Sendo uma pessoas fácil-fácil de enxergar o sub-texto das coisas que me acontecem (inclusive é verdade que muitas vezes enxergo o que não existe), logo pensei: isso quer me dizer alguma coisa... Dias assim nos chegam como possibilidade de organização que se apresenta e que a gente então aproveita para olhar melhor papéis e coisas que fomos amontoando. Organizar a vida e as gavetas. E aí me lembrei de uma crônica muito bacana do Antonio Prata, chamada GAVETA, onde ele fala dos pensamentos que surgem em meio à sua arrumação (precisa ganhar mais dinheiro, terminar seu romance, ler Proust, procurar um analista, arrumar uma secretária...), e que termina de modo surpreendente. Lembro um poema que fiz com o mesmo nome e, como ele, penso que somos sim o conteúdo de nossas gavetas. Elas nos definem e declaram de nós. Minha mente viaja rapidamente para a ideia do funcionamento cerebral organiz…

MADALENA

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MadalenaEla levanta todas as manhãs com os olhos rasos – prediz as circunstâncias do dia que se elabora (ainda é incerto se o sol brilhará pela manhã ou só despontará pelo meio da tarde) e põe os pés sobre o tapete. Sente as fibras do junco. Lembra da Bahia. Faz uma prece ao seu santo e ergue-se, bípede que é. Não suspeita das dificuldades de um parto por conta disso! Sermos bípedes e termos cabeça grande. Tudo bem. A seleção natural explica. Ela sabe apenas que pode caminhar sobre duas pernas – isso lhe basta. Lava o rosto e se demora no espelho. Alisa a pele com o creme. Isso a restitui do ontem, do silêncio que agora já não faz eco em seus ouvidos. Deixa escorregar o vestido sobre o corpo que desperta e veste a sandália. Miss, atravessa a sala em direção à cozinha. Para uma vez mais no espelho que há no meio do caminho. Confere. “Está tudo bem”. “Volto logo”. Prepara o café na cafeteira expressa – aguarda que comece a subir – o barulho, a fumaça, o cheiro que verte pelos azulejos e…