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Mostrando postagens de Dezembro, 2009

CONVERSAS DE BOTECO

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O casal que cozinha junto abre portas para as coisas. Ao ouvir isso na mesa ao lado da sua, Alex, que anda meio “assim” com Júlia, resolve experimentar. Telefona pra mulher e diz de sopetão: vamos fazer uma comidinha hoje? Ela quer dizer não. Anda tão cansada. Mas o inusitado se impõe. Ela então diz: tá; vamos. E é assim que Júlia e Alex certa noite resolvem preparar uma salada de polvo e camarão. Onde começa isso pode variar. Pode ser quando se compra o polvo. Pode ser que começe com a ideia de fazer algo juntos ou pelo inusitado do convite do próprio marido. Porque recorda um prato que comeram. Um lugar onde estiveram, ou simplesmente porque passam a gostar da ideia de inventar algo juntos. E aí dizem. Ou ele diz. Ou é ela quem diz: Vamos fazer uma salada com camarão e polvo? Igual aquela que comemos no Nordeste? Continuam. Tem toda uma dinâmica envolvida. Pode ser bem trabalhoso. Ou não, como diria o amado Caetano. Como se prepara um polvo? Ela pergunta. Vão para internet. Pesquis…

SINAL FECHADO

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SINAL FECHADO É leitor, é dezembro. Mais uma vez é natal. Esse negócio de mais uma vez acontecer alguma coisa, se por um lado passa a ideia de “repetição”, de outro remete à possibilidade de enxergar diferente. Porque acontece e acontece de novo, e mesmo assim a gente pode se surpreender. Pelas nossas atitudes ou pelas dos outros. E o natal, a despeito dos significados próprios e agregados, traz essa dinâmica de “acontecer de novo”, essa oportunidade de nos colocar num mesmo lugar e poder olhar para isso de um jeito diferente. Em verdade, todo dia é especial. Ao dormir, o simples fato de depois acordar já é um recomeço. Suar a camisa o dia inteiro, e novamente ir dormir no final desse dia, também é. É que tendemos a não ver assim no embolo da vida. É tanta correria que a maior parte de nós mal se dá conta. 365 dias de trabalho e compromissos que nos absorvem e muitas vezes a gente só vai seguindo e cumprindo as etapas. Outra questão é o que a gente empresta dos outros e também dos mo…

PAIXÃO E PREVISÕES METEREOLÓGICAS

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PAIXÃO E PREVISÕES METEREOLÓGICASQuando, em meio ao feio de uma tempestade que no céu se arma, questionam a moça (ela em vão tenta recolher as roupas do varal), entrelábios responde: eu tento segurar e livrar as roupas da tempestade. Eu tento segurá-las. Eu tento me segurar porque as coisas ventam e fazem tempestades em mim. . Nara está apaixonada e diante de todas as alterações climáticas, prevê cataclismas. No verão eu ardo de amor e no inverno sinto muita falta dele. Ele, que desde aquele manso setembro (em outros tempos a natureza era mais quieta) chegou sem previsão. O clima já era em ebulição (apenas não se sabia). Foi então depois de algum tempo que as geleiras começaram a derreter. O aquecimento global a deitar seus efeitos. Nara então passou a ler previsões. Se precaveu. Trancou as portas, colocou travas na janela e elevou os móveis do chão. Mas ele veio água em movimento. Veio tsunami. Passou por cima de todos os esteios. Balançou a rigidez dos arranjos e entrou por todos os…

A ARQUITETURA E AS CIDADES - publicado no caderno ANEXO do Jornal A NOÍCIA de Joinville em 10 de dezembro de 2009.

A ARQUITETURA E AS CIDADES


Terça-feira, dia 15, Niemeyer fez 102 anos. O homem-arquiteto, ícone da arquitetura no Brasil e no mundo, ativo aos 102 anos. Independente de como repercutem suas obras, não há dúvida de que se trata de um grande artista mundial, páreo para Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Gaudi, Santiago Calatrava e demais "artesãos da forma". Eu nunca fui fã dele e de suas obras, mas sou fã da vida. Um século de existência produtiva e criativa nos faz pensar no tempo. Refletir sobre a ideia que "a vida é tão efêmera quanto uma fagulha para o tempo, mas para o homem é tudo". Isso me fez pensar em arquitetura, em Joinville, e em como estamos preparando a nós e a nossa cidade para nossa existência aqui. Obviamente, o tempo cobra seu preço, apesar de todos os recursos possíveis para mitigar os prejuízos da idade. As atividades mais elementares para um cidadão centenário tornam-se fortes desafios quando tais recursos não se colocam à disposição. Estou faland…

PRÊMIO JOINVILLE DE LITERATURA - Crônica publicada no Jornal A notícia em 10 de dezembro de 2009.

PRÊMIO JOINVILLE DE LITERATURA


Quinta-feira, 03 de dezembro, aconteceu no Anfiteatro da Biblioteca da Univille, a 6° edição do Prêmio Joinville de Literatura. A novidade dessa edição é justamente a participação da Univille através da Pró-reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários que agora se une ao departamento de Letras, ao programa de extensão Proler e a Mercado de Comunicação para a realização do concurso. Todos unidos para abarcar a movimentação literária e cultural que ocorre na cidade por conta disso. É algo que, como eu disse a respeito da feira do livro de Porto Alegre, não pode passar sem se comentar. Por que? Porque ano a ano a ideia se amplia, os talentos se ampliam e o evento ganha dimensão. A edição atual teve 391 inscritos (o dobro da última edição), participando na categoria poemas e também contos e crônicas. Uma novidade também que se reforça esse ano é a integração de outros municípios, envolvendo Araquari, Barra Velha, Barra do Sul, Campo Alegre, Corupá, Garuva, G…

O MUNDO DE RAMIRO - texto publicado no Jornal A Notícia em 03 de dezembro de 2009

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O MUNDO DE RAMIRO


Maria da Cota Nascimento esperou pelo homem que amava por anos a fio. Quando, no rigoroso de um inverno sem precedentes ele chegou, não o viu propriamente. Alucinou. Viu a figura incomum de um homem montado num cavalo malhado. Quase um os dois. Ela teve certeza do amor assim que olhou nos olhos dele. Em seguida abaixou olhos. Ramiro, homem de resoluções e poucas palavras foi logo dizendo: Sobe moça que não sou homem de ficar esperando. Cota, que sequer o tinha visto antes, sentiu nascer. Sentiu mesmo a volúpia e o intenso de passar pelo estreito de um canal e aparecer num outro lugar. Lágrimas desceram de seus olhos. Ele emendou: Moça não venha com dengos e me dê logo sua mão. Era tão miudinha diante da imagem dele que julgou não conseguir esse feito. Ele iria sem ela. Isso era um fato. Titubeou. Mas braço e mão dele se impuseram diante do receio dela. Ele a puxou para cima de um só golpe. E Cotinha ficou no alto, presa e prenda de um herói a mais de três metros do …