Postagens

Mostrando postagens de Agosto, 2009

VANESSA ATALANTA

Imagem
Crônica publicada no Jornal A Notícia de Joinville em 20 de agosto de 2009.
Ela pensou em bater na porta umas batidas leves. Em colocar um bilhete pelo vão debaixo da porta e ir embora. Pensou em bater umas batidas fortes e esperar abrir. Ver a surpresa estampada, o desconforto por detrás da alegria. Pensou em chegar na hora da chuva. Encharcada. Passou pela Rua Dr. João Colin a caminho do Shopping Cidade das Flores desviando de sombras e sorrisos. Entre uma bicicleta e outra uns sobressaltos; e já são eles sombras. Entrou para dar uma espiada em quem estava por ali. Entre a fumaça que ondula e a que se esvai pelo exaustor, um mundo acontece naquele café pulmão. Muita gente, mas ninguém aqui. Preciso de ar. Depois foi só descer pela Blumenau e olhar de frente o local onde sempre encontrava com ele... Ver que o lugar estava ainda no mesmo lugar. Quantas quintas... “Prometo que vou resolver. De hoje em diante não esperarei mais”. Ele prometeu. Ela escutou.Noutro dia passeou pela Rua Mare…

achado carinhoso de um amigo querido, Rubens da Cunha

O POETA ASSASSINA A MUSA

Há dez dias que Clotilde
- Uma das musas queridas -
Anda aborrecendo o poeta.
Aparece carinhosa,
De repente vira as costas,
Diz várias coisas amargas,
Bate impaciente o pé.
Então o poeta aporrinhado
Joga álcool e ateia fogo
Nas vestes da musa.
A musa descabelada
Sai cantando pela rua.
Súbito o corpo grande se estende no chão.
Diversas musas sobressalentes
Desandam a entoar meus cânticos de dor.
Clotilde ressuscitará no terceiro dia,
Clotilde e o poeta farão as pazes.
Música! Bebidas! Venham todos à função.

Murilo Mendes em "O Visionário" 1930-1933

tem certas coisas que só o Rubens faz por você :))

CÓDIGOS

Imagem
Crônica publicada no Jornal A Notícia de Joinville em 30 de julho de 2009.
Esses dias eu me lembrei de uma brincadeira que a gente fazia lá em casa quando éramos crianças. Minha mãe ensinou pra gente. Chamava-se “Língua do P”, e consistia em separar as sílabas de todas as palavras que você queria dizer e inserir na frente o “P”. Então, se você queria dizer “pega um chocolate pra mim”, dizia: P-vo P-cê P-pe, P-ga, P-um, P-cho, P-co, P-la, P-te, P-praP-mim? Era muito legal falar essa língua e a gente sempre “sacaneava” alguém com isso. E também era uma brincadeira nossa. A gente falava e nem importava se entendessem ou não, era uma brincadeira da minha mãe com a gente. E era muito bom. Depois, com a pré-adolescência, inventamos muitas outras. Tinha uma tão complicada que nem me lembro pra contar agora! Que pena! Mas lembro que escrevia coisas no meu diário com essa língua! E quando eu repassava as cois…